A Paz

Os homens promovem as guerras e os holocaustos
Em nome da Paz.
Os homens exploram e humilham os seus semelhantes
Buscando a paz.
Os homens assassinam milhões de seres humanos
Procurando a Paz.
Os homens dizimam as espécies animais e vegetais
Ao promoverem a Paz.
Os homens permitem que a fome e a miséria destruam outros homens
Para obterem a Paz.
Os homens destroem a Natureza e envenenam o meio ambiente
Construindo a Paz.
Os homens não notam que são os arquitetos de sua própria destruição.
Os últimos homens, antes de morrerem, perceberão que a Paz é incompatível com a existência da humanidade.
E só assim, finalmente, a Paz reinará sobre a Terra!
Edmar Claudio
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A vida é uma viagem sem volta.


Quando criança fazia planos de viver uns oitenta ou noventa anos, mais ou menos. A infância se foi em ternas memórias. A juventude me passou qual um redemoinho e a maturidade me deu marcas indeléveis adquiridas na luta pela vida. A meia-idade hoje me pega de surpresa. Não contava em minhas antigas previsões com a possibilidade do desgaste físico, a decrepitude orgânica que as inconseqüências de uma vida pouco regrada me traria. Se você consegue tornar-se um longevo, não quer dizer que terá saúde suficiente para gozar esta etapa de sua vida. Isso depende das suas determinantes genéticas, dos seus hábitos e costumes, do seu estado emocional e do meio econômico e social em que vive. Uma gripe me prostrou há alguns dias e seus sintomas, que há anos atrás não me fariam tantos males, me puseram em pânico. A dispnéia pelo excesso de secreção nos brônquios me remeteram ao desespero de quase-morte por afogamento, vivenciado aos quinze anos de idade em um açude na Paraíba. A artrite e as hérnias de disco vertebral me proporcionam diuturnamente a minha cota diária de dor nesse mundo. A surdez me chega aos poucos pelos tímpanos perfurados por otites médias catarrais crônicas decorrente de rinite alérgica persistente. A visão já não me satisfaz, mesmo com essas lentes constantemente atualizadas pelo oftalmologista. A obesidade por gula, devida à ansiedade; devida, também, ao sedentarismo de um trabalho meramente burocrático, estão me acabando. Já atravessei o Cabo da Boa Esperança do meu trajeto de vida. Vou devagar, quase parando. Vou ver se fico dando voltas e retardando a viagem. Esse é o tipo de jornada que ninguém quer chegar ao final!

O apagão.

Acordei da soneca da tarde aperreado com um calor sufocante em meu quarto. O suor escorria em bicas pelas têmporas agoniando-me ao exaspero. Cuidei de levantar-me e, ao perceber o condicionador de ar desligado, constatei que casa estava sem energia elétrica e que as sombras já se faziam mais intensas, prenunciando uma noite às escuras. Primeiras perguntas: o problema é só aqui mesmo? Foi sobrecarga? Curto circuito? Qual nada! O apagão é geral! A vizinhança confirma: toda Natal está sem luz!

A noite chega e a escuridão e o caos se instalam por completo. Acendemos umas velas vermelhas com odor de canela e ficamos esperando a caçula chegar do colégio. O filho, que mora em João Pessoa, liga para o irmão perguntando se aqui também faltava eletricidade. -Então a coisa é séria! digo isso com base na experiência obtida em blackouts anteriores. Provavelmente foi uma sobrecarga de consumo devido à temperatura elevada. Ou, talvez, tenha havido um atentado terrorista e explodiram alguma linha de transmissao lá para o lado da Bahia. Ou, mesmo, algum técnico tenha desligado sem querer o sistema e agora, na escuridão que provocou, não consiga achar a chave para reiniciá-lo. Nessa hora de desespero só consigo me lembrar daquelas malditas bandeiras coloridas que encarecem a minha conta de luz no final do mês. A pequena chega na van escolar e o motorista relata os perigos que passou no trânsito com todos os semáforos desligados. – Não saiam de casa. Lá fora está um inferno!

As três velas vermelhas já se foram e eu nem senti os odores da canela. Acho mais duas brancas em estado de toco em alguma gaveta esquecida. Tento colocar querosene em um lampião muito antigo e constato que o mesmo está se despedaçando de tão velho. Improviso um pavio, mas a ferrugem esburacou seu depósito de gás e o combustível escorre encharcando o chão sob meus pés. Mesmo assim, insisto em acender o artefato que se inflama por completo e, tendo que apagá-lo, ganho de quebra uma queimadura em meus dedos da mão direita. Diabos! Que imbecilidade essa minha! A filha começa a gritar escandalosamente aturdida com a escuridão e me deixa mais estressado ainda.

Decido: não aguento mais!…vou ao shopping agora mesmo comprar lanternas, pilhas, velas e um lampião novo.

-Não vá que o motorista disse que está muito perigoso nas ruas! Aconselham os familiares.

-Tenho que ir! Se eu não for, isso aqui vai ficar insuportável!

Saio pela escuridão das ruas e me parece que todos saíram ao mesmo tempo e pelo mesmo motivo. Hora do rush às 18 h. Os faróis acesos em luz alta, os pisca-alertas ligados tornam mais tumultuada a enorme confusão das ruas. Freadas e buzinaços são o reflexo da impaciência e da desorganização ora instalada nas ruas da capital.

Penso: se escapar vivo dessa pago uma promessa pra São Cristóvão! Consigo, aos trancos, chegar as portas do shopping, mas, para meu espanto, estão todas cerradas. Todas as lojas fechadas, algumas com funcionários à frente fazendo vigilia.

De minha frustação vem uma conclusão lógica. Não estou vendo nenhum guarda de trânsito ou policial tentando organizar o fluxo e o contra-fluxo. Deve haver um plano emergencial a ser colocado em prática nesses casos. Os guardas em seus carros e motos iriam para as principais avenidas e comandariam o sentido da mão e contra-mão com seus apitos, luzes e sirenes. Bem…era pra ser assim… mas não!

Consigo, a muito custo, sofrimento e medo, desviar-me das colisões e dos xingamentos de motoristas possessos; e retornar à casa são e salvo.

– Graças a Deus, cheguei vivo!

Bem, na escuridão total e aproveitando o calorão que a acompanha “de gratis”, fiquei mais de duas horas esperando que a luz viesse organizar o caos. Repentinamente ela retorna e a alegria é total. Clima de gol decisivo de final de campeonato. Gritos, assobios, apupos e foguetório. Respiro aliviado e vou às notícias da mídia: O apagão afetou os Estados do Norte e Nordeste e comprometeu 22% de toda a oferta energética do período! Decorreu de uma parada de transmissão na hidrelétrica de Belo Monte no Pará! Mais informações quando as investigações avançarem! E bla-bla-blá!

Dez anos depois da curva.

Quando completei cinquenta anos me senti qual o Vasco da Gama ao dobrar o Cabo da Boa Esperança no extremo sul do continente africano. Percebi intimamente uma plenitude de nada e disse para mim mesmo: o que farás agora, garboso infante? Nada! Não fiz nada e deixei a vida correr igual à seiva de cajueiro bravo em buraco de mordidas de saguins!

Agora me encontro de novo frente a um novo desafio existencial. Completei sessenta anos e o menino dentro de mim pulou e cantou o parabéns pra você como se fosse o aniversário de seis anos. Aí senti que a vida passa, a saúde se esvai, mas a sua criança interior não morre. Vive pulando, correndo e fazendo diabruras em suas memórias. Se refestela e se empanturra de guloseimas em suas saudades. O que é que vais fazer então, menino danado?

Acho que agora a coisa é séria, sabes? Tempus fugitis! Então é tratar de ser urgente no que se puder fazer para melhorar um pouco essa nossa fugaz passagem, por essa experiência dadivosa e maravilhosa que é a vida. Primeiro cuidar da saúde, que sem ela a felicidade é capenga. Se gostas de algo e isto te faz bem, vá atrás disso com todas as tuas forças e sejas feliz. Andar, viajar, exercitar o corpo e a mente, produzir algo consistente que possa ficar sinalizando pelo caminho, tal qual uma flâmula tremulante amarrada em uma antena de rádio de um daqueles caminhões poeirentos das estradas de antigamente. E o que eu quero produzir é arte pois é só ela que eu sei fazer. Vou cuidar de escrever poesias e canções, de pintar, de desenhar. Vou dar vazão ao meu espírito criativo e ser pleno! Pleno em tudo. Plenitude! Eis o meu lema de agora em diante!

A terra do sol escaldante.

Tarde extremamente quente. Parecia que o sol despencara um pouco de sua altura e viera bafejar seu calor sufocante nesta terra potiguar. Tudo parou e nenhum vento alisava as copas das palmeiras. O sabiá, se havia, de esturricado jazia por entre as capoeiras de xananas nos vãos do canteiro central. A vida fugia para as sombras ou ia assombrar nos shoppings da capital. Uma sonolência pairava nos expectadores das alamedas e nos turistas debochados que falavam muito e compravam quase nada. A temperatura marcava 38ºc, mas a sensação térmica extrapolava essa marca em, pelo menos, dois graus. O suor brotava dos poros insistentemente e escorria caudaloso molhando minhas vestes ao seu pegajoso contato. Parei numa sorveteria e tomei um diet, com duas bolas, num copinho. Nesse momento, passava uma passeata do ABC com uma banda de frevo em cima de um caminhão, convidando as pessoas para o jogo decisivo do campeonato. Pipocar de espoletas e rojões compunham o foguetório animado dos torcedores que se penduravam nos carros do cortejo. O barulho era tão alto e demorado que fechei os olhos e me senti como um habitante da Síria em meio ao matraquear das metralhadoras e explosões das bombas que assolam a população civil daquele país. Passado o corso abecedista, eis-me agora na pista voltando para casa. A fila de automóveis parou e um engarrafamento se formou no sinal da Roberto Freire com a Ayrton Senna. Era o trio elétrico dos fanáticos organizados arrebanhando os sócios que subiam, pulando às pressas, ao veículo embandeirado e gritando urros de guerra como um bando de ferozes soldados prestes a entrar em uma sanguinolenta batalha. Pensava em tomar um chá de especiarias e comer uma tapioca com queijo do reino no Café São Brás, mas a prudência me dizia que o ambiente não estaria muito seguro em dia de decisão de campeonato. O sinal finalmente abriu. Dobrei para o lado direito da pista e fui descansar  na calma e tranquilidade de minha casa no resto daquele sábado,  quente e sufocante por demais.

Um blog para aqueles que gostam de artes e literatura

De repente, no finalzinho da tarde de uma quarta-feira pagã, senti necessidade de um lugarzinho nosso em que pudéssemos publicar os escritos diários, as produções artísticas várias, as inquietações e desassossegos impressos, as dúvidas e tribulações, as incongruências em letras transmutadas. Pensei: -vou fazer um blog! E o blog se fez. Depois passei umas duas horas tentando achar um nome que fosse da hora. Algo impactante, mas curto. Chamativo, mas consistente. Simpático, mas misterioso. Todas as primeiras ideias foram a pique por já existirem domínios. E ai, já com o saco cheio e a mão dorida de tanto teclar o celular vi que não havia mais propostas para o título. A mente estava vazia e o estoque zerado. Pensei então…ora! Estoque Zero! E fim de questão. Bem, agora é gastar o futuro fabricando o passado. Que venham os textos e escritos, as crônicas e os contos, as novelas e romances, a crítica e o louvor. Traremos também as artes e as artes são infinitas e eternas. Teatro, dança, música, pintura, escultura e desenho. Que este contexto se encha de luz e de cor. E vamos fazer arte que a inspiração não espera pelo amanhã!